A suinocultura paranaense, reconhecida nacionalmente pela eficiência e pela qualidade da produção, enfrenta um cenário de atenção em relação aos custos de produção.
Levantamentos recentes da FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) e de instituições do setor indicam que o custo médio de produção de suínos no estado atingiu R$ 6,17 por quilo vivo no primeiro semestre de 2025 — um aumento de 10,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Mesmo com 12,4 milhões de animais abatidos em 2024, o maior volume da história da atividade no Estado, a rentabilidade dos produtores tem sido pressionada pela elevação generalizada dos custos, especialmente entre os integrados às agroindústrias.
“O produtor paranaense tem mostrado grande capacidade técnica e compromisso com a eficiência produtiva, mas o aumento dos custos vem comprometendo os resultados. É fundamental que o setor continue unido em busca de soluções sustentáveis”, destaca o presidente da Assuinoeste, Delmar Briccius.
Ração e insumos continuam pressionando os resultados
A alimentação animal segue como o item de maior peso na composição do custo total — respondendo por mais de 70% das despesas da atividade. A variação nos preços de milho e farelo de soja, aliada a aumentos em transporte, genética e sanidade, tem mantido os custos em patamares elevados.
Os principais acréscimos observados no período foram:
- Ração: +9,2% (R$ 0,37/kg)
- Sanidade: +100% (R$ 0,13/kg)
- Transporte: +39,4% (R$ 0,07/kg)
- Genética: +41,7% (R$ 0,05/kg)
- Mão de obra: +15,8% (R$ 0,03/kg)
Embora alguns itens, como depreciação e encargos, tenham apresentado leve redução, o impacto geral mantém o custo em trajetória ascendente.
Resultados por fase produtiva mostram desequilíbrio
O levantamento da FAEP também aponta que a pressão dos custos afeta todas as etapas da cadeia produtiva:
- Unidades Produtoras de Desmamados (UPD): custo médio de R$ 79,51 por leitão, com remuneração de R$ 47,80 — prejuízo de mais de R$ 30 por animal.
- Unidades de Crechário (UC): perdas variando entre R$ 8, e R$ 17 por leitão, conforme a região.
- Unidades de Terminação (UT): prejuízo médio de R$ 40 por suíno terminado.
Esses resultados refletem o descompasso entre os custos de produção e os valores pagos ao produtor, exigindo diálogo entre os elos da cadeia e estratégias de gestão mais precisas.
Gestão e cooperação como caminhos para o equilíbrio
Segundo a Assuinoeste, a situação reforça a importância de gestão técnica de custos, planejamento financeiro e eficiência operacional como fatores essenciais para garantir a sustentabilidade da atividade.
O acompanhamento constante dos custos, aliado à troca de informações entre produtores e cooperativas, é ferramenta fundamental para embasar negociações e fortalecer o setor.
“O momento é de união e transparência. Conhecer o custo real de produção é o primeiro passo para que produtores e agroindústrias construam soluções conjuntas, assegurando a continuidade e a competitividade da suinocultura paranaense”, reforça Delmar.
Perspectivas
Mesmo diante dos desafios, o Paraná se mantém como um dos principais polos suinícolas do país, sustentado pela capacidade técnica dos produtores e pelo forte sistema cooperativo e de integração. O foco para os próximos períodos está em aumentar a eficiência produtiva, adotar inovações tecnológicas e buscar equilíbrio entre produtividade e rentabilidade.
*Com informações do Sistema FAEP.



