Assuinoeste destaca desafios da suinocultura e inovação sustentável em entrevista ao Jornal Gazeta Toledo

Lideranças da entidade debateram o Projeto de Recolha Legalizada de Carcaças, a transformação de resíduos em biodiesel e a necessidade de gestão profissional no campo

Em uma importante ação de transparência e comunicação com a sociedade, a diretoria da Assuinoeste concedeu uma entrevista detalhada ao Jornal Gazeta Toledo, conduzida pelo jornalista Eliseu de Lima. O encontro contou com a participação do presidente da entidade, Delmar Briccius, do sócio-fundador Leoclides Roso Bisognin e do deputado federal Santin Roveda, no dia 15 de agosto. 

O diálogo ocorreu no contexto da 53ª Festa Nacional do Porco no Rolete, momento em que Toledo celebra sua posição de liderança no agronegócio, com um VBP (Valor Bruto da Produção) de R$ 5,16 bilhões, sendo a suinocultura responsável por 38% desse montante (R$ 1,96 bilhão).

A Assuinoeste, que completará 51 anos em dezembro de 2026, atua em 54 municípios do Oeste do Paraná, representando uma região que abriga quase 16.000 propriedades suinícolas. Durante a entrevista, as lideranças reforçaram que o papel da associação evoluiu para além da representatividade política, focando agora na resolução de gargalos históricos que impactam a viabilidade econômica e a segurança jurídica do produtor rural.

Projeto de recolha legalizada e a transformação em biodiesel

Um dos pontos centrais da pauta foi o Projeto de Recolha Legalizada de Carcaças, em operação desde 16 de abril. O presidente Delmar Briccius explicou que a iniciativa resolve um problema crítico: o volume de mortalidade que as compostagens tradicionais já não conseguem absorver. Em Toledo, morrem diariamente entre 45 e 50 toneladas de animais, na região Oeste, esse número chega a 300 toneladas por dia. O projeto utiliza uma empresa pioneira no Brasil que transforma essas carcaças em biodiesel, oferecendo uma solução sustentável, renovável e com total rastreabilidade.

O projeto está amparado por normativas federais, normas da ADAPAR, IAT e possui o apoio do Ministério Público. Entretanto, Delmar alertou para a resistência de algumas integradoras, que têm ameaçado cortar produtores que aderem ao sistema. “O projeto é benéfico para toda a cadeia, pois retira um risco sanitário enorme de dentro das granjas”, pontuou o presidente. 

Leoclides Bisognin complementou relatando casos de produtores que passam noites realizando o esquartejamento manual de animais pesados para compostagem — um trabalho degradante que tem gerado processos trabalhistas por insalubridade, com condenações que chegam a R$ 40 mil.

Gestão, eficiência e o futuro da suinocultura

A entrevista também abordou a necessidade urgente de profissionalização na gestão das granjas. Com a previsão de preços do suíno podendo atingir patamares desafiadores de R$ 4,00/kg no curto prazo, a Assuinoeste tem orientado os produtores a utilizarem ferramentas como o aplicativo “Custo Fácil” da Embrapa. Segundo a gerência da entidade, a suinocultura está em um processo de transição do analógico para o digital, onde o controle rigoroso de custos é a única forma de garantir a sobrevivência no mercado.

Além da gestão técnica, a associação anunciou que está em trâmite final uma parceria com o Poupatempo para facilitar trâmites burocráticos dos associados. Bisognin relembrou a história da integração em Toledo, iniciada pela Sadia em 1964, destacando que a força do município reside nas pequenas propriedades de agricultura familiar. Ele enfatizou que a relação entre integradora e integrado deve ser de ganho mútuo, sinalizando a possibilidade de mobilização de até 6.000 suinocultores na região para defender a viabilidade do setor.

Associação como elo de solução para o produtor

O presidente da Assuinoeste, Delmar Briccius, reforçou o compromisso da entidade em ser o elo de solução para o produtor:

“Esta entrevista ao Jornal Gazeta Toledo foi uma oportunidade vital para darmos visibilidade aos desafios reais que o suinocultor enfrenta no dia a dia. A Assuinoeste não foge dos temas difíceis, como a questão das carcaças e dos dejetos. Nosso compromisso é com a segurança do produtor, seja ela sanitária, ambiental ou jurídica. Estamos oferecendo soluções modernas, como a transformação de resíduos em energia limpa, e não aceitaremos que o produtor seja penalizado por buscar a legalidade. A associação está de portas abertas para o diálogo com as integradoras e com o poder público, sempre com o objetivo de fortalecer quem realmente produz.”