A força da suinocultura brasileira reside na organização e na hierarquia das associações

Entenda como a cadeia de comando entre ABCS, APS e Assuinoeste garante a representatividade do produtor da base ao nível federal

Representatividade nacional e articulação em Brasília

A suinocultura brasileira é sustentada por uma estrutura organizacional robusta e hierarquizada, que garante que as demandas do campo cheguem às esferas mais altas de decisão. No topo desta pirâmide está a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). Fundada em 13 de novembro de 1955 e com sede em Brasília-DF, a entidade máxima é presidida atualmente por Marcelo Lopes. A ABCS desempenha um papel decisivo no desenvolvimento tecnológico e no melhoramento genético do rebanho nacional, articulando soluções junto ao Governo Federal, ao Congresso Nacional e ao Ministério da Agricultura.

A atuação da ABCS é fundamental para a abertura de mercados internacionais, a promoção do consumo de carne suína no mercado interno e a garantia de que a produção reflita conceitos de responsabilidade ambiental e bem-estar animal. Ela congrega as associações estaduais de todo o país, como a ACSURS (Rio Grande do Sul), APCS (São Paulo), ACCS (Santa Catarina) e ASEMG (Minas Gerais), formando uma frente unificada em defesa dos interesses dos suinocultores brasileiros.

O papel estratégico da instância estadual no Paraná

No nível estadual, o elo com a esfera nacional é  com a Associação Paranaense de Suinocultores (APS). Fundada em 30 de março de 1971 e sediada em Curitiba-PR, a APS é presidida por Jacir José Dariva. Sua missão é promover, organizar e difundir a suinocultura em todas as regiões do estado, atuando como a voz dos produtores paranaenses junto ao Governo do Estado, à Assembleia Legislativa e a órgãos reguladores como a ADAPAR e o IAT.

A APS coordena as políticas estaduais para o setor e promove a articulação entre suas associações regionais filiadas. É através desta estrutura que as diretrizes nacionais da ABCS são adaptadas à realidade paranaense e as demandas locais são levadas para a discussão estadual, garantindo que o Paraná mantenha sua posição de destaque na produção de proteína animal com segurança sanitária e jurídica.

Assuinoeste: a força da base na região número um do Brasil

Na base desta estrutura, exercendo o contato mais direto com o produtor, está a Associação Regional dos Suinocultores do Oeste (Assuinoeste). Fundada em 13 de dezembro de 1975 e sediada em Toledo-PR, a entidade é presidida por Delmar Briccius. A Assuinoeste é reconhecida como a regional mais forte do Brasil, atuando em 54 municípios do Oeste do Paraná e representando quase 16.000 propriedades suinícolas.

A força da Assuinoeste reflete a pujança da região, que é o principal polo da suinocultura nacional. Toledo ostenta o título de maior produtor de suínos do país há 13 anos consecutivos, onde a atividade responde por R$ 1,96 bilhão (38%) do Valor Bruto da Produção (VBP) municipal. Como regional, a Assuinoeste é o elo que conhece a realidade da porteira para dentro, implementando projetos pioneiros — como a Recolha Legalizada de Carcaças — e mantendo interlocução constante com prefeituras e câmaras de vereadores.

Organização em níveis fortalece o produtor 

O presidente da Assuinoeste, Delmar Briccius, destaca como a organização em níveis fortalece o produtor rural:

“O suinocultor precisa entender que ele não está sozinho. Quando ele se associa à Assuinoeste, ele passa a fazer parte de uma engrenagem poderosa que vai de Toledo até Brasília. Temos muito orgulho de ser a regional mais forte do país, pois estamos no coração da produção nacional. Mas essa força só existe porque estamos organizados. A demanda que nasce aqui na nossa base é levada pelo Jacir Dariva na APS e chega ao Marcelo Lopes na ABCS. Essa cadeia de comando é o que garante que o pequeno produtor do Oeste tenha voz no Ministério da Agricultura. Uma base regional forte fortalece o estado e, consequentemente, o Brasil. É o associativismo profissional que protege o nosso patrimônio e garante o futuro da nossa atividade.” 

Unidade e desenvolvimento setorial

A estrutura composta por ABCS, APS e Assuinoeste demonstra que a suinocultura brasileira é um setor maduro e altamente organizado. Cada nível possui atribuições específicas que se complementam: enquanto a nacional foca em políticas macro e mercados externos, e a estadual em regulação e fomento regional, a Assuinoeste garante o suporte técnico e a defesa imediata do produtor no campo. 

Essa unidade é o que permite ao setor enfrentar crises, buscar inovações e manter o Brasil como uma das maiores potências mundiais na produção de carne suína.