Projeto de recolha legalizada de carcaças reúne suinocultores em Nova Santa Rosa e consolida expansão regional

Iniciativa pioneira transforma animais mortos em biodiesel, eliminando passivos ambientais e sanitários nas propriedades do Oeste do Paraná
Mobilização técnica e adesão recorde no município

A Assuinoeste promoveu, na noite do dia 03 de setembro de 2026, um encontro técnico decisivo para a expansão do Projeto de Recolha Legalizada de Carcaças. Realizada no Teatro Municipal Gustavo Fischer, em Nova Santa Rosa-PR, a reunião reuniu aproximadamente cem suinocultores do município e distritos vizinhos, demonstrando o alto nível de engajamento dos produtores rurais com soluções estruturadas para o manejo sanitário e ambiental de seus plantéis.

O objetivo central da reunião foi apresentar os parâmetros operacionais, as bases legais e as diretrizes de biosseguridade do projeto, que passa a integrar a cadeia produtiva local. Os participantes receberam orientações detalhadas sobre o fluxo de descarte seguro, os critérios de acondicionamento nas propriedades e as garantias de conformidade que a iniciativa oferece perante os órgãos fiscalizadores.

Parceria institucional e presença de lideranças

O evento contou com uma expressiva articulação entre a iniciativa privada, entidades de classe e o poder público. Compuseram a mesa de honra e participaram dos debates o prefeito de Nova Santa Rosa, Lari Hitz, o diretor do Departamento de Fomento Agropecuário e Meio Ambiente, Douglas Seibert Mengarda, a assessora de Secretaria, Angélica Froelinh Waldow e a médica veterinária do município, Juliana Saito Scomparin.

A conformidade normativa e técnica do modelo foi reforçada pela presença de representantes do Instituto Água e Terra (IAT), órgão responsável pelo acompanhamento ambiental no estado do Paraná. A operacionalização logística e industrial foi detalhada por representantes das empresas parceiras: a Maculan Log, encarregada da coleta especializada e transporte seguro dos resíduos, e a A&R, responsável pela planta industrial de processamento e destinação final.

Inovação sustentável: transformação de passivos em biodiesel

Pioneiro no Brasil e sob coordenação direta da Assuinoeste, o projeto substitui práticas tradicionais de descarte como a compostagem caseira suscetível a intempéries ou o enterramento, por uma solução industrial de economia circular. Todo o volume recolhido é rastreado por meio de documentação oficial, sendo destinado exclusivamente para a produção de biodiesel e outros insumos industriais, sem risco de reinserção na cadeia alimentar humana ou animal.

O modelo resolve um dos principais desafios sanitários do agronegócio regional. A estimativa técnica aponta que a mortalidade natural na região Oeste do Paraná oscila entre 280 e 300 toneladas por dia, sendo que apenas no município de Toledo esse volume atinge entre 45 e 50 toneladas diárias. A destinação adequada mitiga riscos de contaminação de lençóis freáticos, previne a proliferação de vetores biológicos e reduz drasticamente a sobrecarga de trabalho manual no interior das granjas.

A atividade está devidamente amparada por normativas federais, conta com o respaldo do Ministério Público e opera com empresas credenciadas pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), assegurando que o produtor rural esteja plenamente protegido contra sanções regulatórias e autuações ambientais.

Avanço na suinocultura regional

O presidente da Assuinoeste, Delmar Briccius, ressaltou o significado do encontro em Nova Santa Rosa para o avanço da suinocultura regional:

“A maciça presença de mais de quase 100 suinocultores no Teatro Municipal Gustavo Fischer comprova que o produtor do Oeste do Paraná busca profissionalismo e segurança jurídica. Agradecemos ao prefeito Lari Hitz e a toda a equipe da administração municipal de Nova Santa Rosa por compreenderem a dimensão deste projeto e abrirem as portas para a sua implantação. A recolha legalizada não é apenas uma exigência moderna de biosseguridade, é a valorização do trabalho do suinocultor, que deixa de lidar com passivos dentro da propriedade para integrar uma cadeia sustentável que produz energia limpa. A Assuinoeste completa 51 anos em dezembro com o compromisso inegociável de expandir essa solução para todos os 54 municípios da nossa base territorial.”

Expansão da cobertura na região Oeste

Com a entrada de Nova Santa Rosa, o projeto fortalece sua malha logística regional, somando-se aos municípios onde o sistema já se encontra consolidado e em plena operação: Toledo, Marechal Cândido Rondon, Mercedes, Pato Bragado, Entre Rios do Oeste, Quatro Pontes, Concórdia do Oeste e Vila Nova.

A Assuinoeste, que representa cerca de 16.000 propriedades suinícolas no Oeste paranaense, reforça que a regularidade no tratamento de carcaças é um dos pilares que sustenta a liderança de Toledo e região no cenário agropecuário nacional. A suinocultura toledana, que responde por R$ 1,96 bilhão (38%) do Valor Bruto da Produção (VBP) municipal, consolida-se como referência internacional de competitividade, sustentabilidade e inovação tecnológica.