Assuinoeste alerta suinocultores sobre retorno do El Niño e orienta sobre prevenção de eventos climáticos severos nas granjas

Fenômeno tem mais de 80% de probabilidade de atuação no período 2026/2027 e exige atenção redobrada com estruturas, segurança e biosseguridade nas propriedades rurais do Oeste do Paraná
Cenário climático de alerta para o setor

A Assuinoeste orienta seus associados e os produtores rurais da região sobre as projeções do El Niño para o ciclo 2026/2027. Segundo as notas técnicas emitidas pelo CEMADEN (Nota 427/2026) e pelo INPE, a probabilidade de ocorrência do fenômeno supera 80% nos meses de maio, junho e julho, e chega a 90% entre outubro, novembro e dezembro, com 37% de chance de intensidade “muito forte”.

O El Niño é o fenômeno climático causado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que altera a circulação dos ventos atmosféricos. Em território brasileiro, sua marca característica é a concentração de chuvas intensas na Região Sul e a estiagem no norte e nordeste do país, um contraste que afeta diretamente as lavouras de grãos e a logística das propriedades que integram a cadeia suinícola.

Paraná integra rota propensa a eventos severos

De acordo com a nota técnica 02/2026 da SIMEPAR, o estado do Paraná apresenta riscos de eventos severos de curto prazo, incluindo tempestades, vendavais e granizo. Estudos validados por meteorologistas locais e pesquisas da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) comprovam que a Região Sul do Brasil integra o segundo maior corredor de tornados do mundo, com média de duas ocorrências por ano entre 1970 e 2023.

Os números registrados durante a primavera de 2025 evidenciam a aceleração dessa tendência: as ocorrências de eventos severos saltaram de 102 para 224, os registros de vendavais aumentaram de 72 para 150 e os casos de granizo passaram de 11 para 53 — além de marcas históricas de temperaturas extremas em estações meteorológicas do estado.

Impactos diretos na suinocultura e orientações ao produtor

Para as granjas de suínos, os efeitos do El Niño traduzem-se em chuvas acima da média, vendavais e granizos, com ocorrências de alagamentos, destelhamentos, desabamentos, deslizamentos, danos na rede elétrica e quedas de árvores. Segundo a Defesa Civil, 80% das ocorrências registradas em 2026 estão relacionadas a quedas de árvores e alagamentos, além de interdições por deslizamentos.

A Assuinoeste recomenda aos produtores uma revisão preventiva completa nas propriedades, com foco nos pontos mais vulneráveis:

  • Coberturas e telhados: inspeção e reforço das estruturas das granjas, com atenção especial a telhas, fixações e cortinas laterais — itens historicamente mais atingidos por vendavais e granizo.
  • Esterqueiras (prioridade máxima): esvaziar ou manter o nível baixo de cada esterqueira da propriedade, programando a retirada de dejetos com antecedência em relação aos dias de alerta climático.
  • Drenagem e entornos: limpeza de canaletas, calhas e vias de escoamento ao redor dos galpões para evitar alagamentos e erosão nas fundações.
  • Árvores próximas às instalações: poda ou remoção de exemplares com risco de queda sobre baias, redes elétricas e áreas de circulação.
  • Energia de emergência: testes periódicos de geradores e sistemas de ventilação reserva, essenciais para o bem-estar animal em caso de interrupção do fornecimento elétrico pela COPEL.
  • Biosseguridade sob chuvas: atenção redobrada ao controle de acessos, ao armazenamento de insumos em áreas secas e à destinação adequada de carcaças, evitando que eventos climáticos agravem passivos sanitários nas propriedades.
  • Plano de ação na granja: definição prévia de responsabilidades da equipe em dias de alerta, incluindo protocolos de acompanhamento e comunicação.
Cadastre-se para receber alertas da Defesa Civil

A Assuinoeste reforça a importância de o produtor e sua família estarem cadastrados para receber os alertas oficiais da Defesa Civil. O cadastro é gratuito e imediato: basta enviar um SMS com o seu CEP para o número 40199. Em dias de chuvas e ventos fortes, os canais de emergência disponíveis são:

  • Guarda Municipal: 153
  • Corpo de Bombeiros: 193
  • Defesa Civil: (45) 99973-6840
  • COPEL (energia): 0800 510 0116
Prevenção é investimento 

O presidente da Assuinoeste, Delmar Briccius, destaca que a prevenção é investimento e não despesa:

“O El Niño já é uma realidade estatística para o próximo ciclo, e o Oeste do Paraná está em uma das regiões mais propensas a eventos severos do mundo. Nosso recado ao suinocultor é direto: a granja que se prepara antes da tempestade perde muito menos do que a que reage depois do estrago. Telhado reforçado, drenagem limpa, gerador testado e árvore podada são investimentos que protegem animais, estrutura e família. A Assuinoeste vai acompanhar o ciclo climático de perto e seguir orientando o produtor para que a gente atravesse esse período com o menor prejuízo possível.” 

Vigilância contínua junto ao produtor

A Assuinoeste seguirá monitorando os boletins da SIMEPAR, do CEMADEN e da Defesa Civil ao longo do ciclo 2026/2027 e manterá os associados informados sobre o agravamento ou a mitigação do quadro climático. Informação técnica e prevenção seguem sendo os instrumentos mais eficazes para proteger a suinocultura do Oeste do Paraná — dentro e fora da porteira.