Com o aporte hídrico do fenômeno El Niño, esterqueiras em nível elevado correm risco de extravasamento e transbordamento, situação que pode gerar danos ambientais e autuações dos órgãos competentes, a orientação da entidade é manter as lagoas com o menor volume possível antes dos períodos chuvosos e antecipar o manejo
O cenário: mais chuva no Oeste e esterqueiras que não podem estar cheias
O fenômeno El Niño segue influenciando o regime de chuvas no Sul do Brasil, com eventos de precipitação mais intensos, concentrados e desiguais — exatamente o tipo de padrão que mais desafia o manejo de dejetos da suinocultura. Quando a chuva forte chega, ela cobra da propriedade tudo o que estava preparado, assim como tudo o que não estava.
Para o suinocultor, um ponto exige atenção redobrada: as esterqueiras. Com o aumento do volume de chuvas, lagoas que operavam em nível confortável podem subir rapidamente de nível, aumentando o risco de extravasamento ou transbordamento — a água da chuva ocupando o volume que deveria estar livre na lagoa.
E as consequências vão além do transtorno: o transbordamento pode ocasionar danos ambientais — contaminação de cursos d’água, solo e nascentes — e colocar a propriedade frente a autuações pelos órgãos ambientais competentes, com processos, multas e passivo que podem comprometer a operação por muito tempo.
A orientação central: esterqueira vazia antes da chuva chegar
A recomendação da Assuinoeste é direta e deve ser planejada com antecedência: manter as esterqueiras vazias ou com o menor volume possível antes dos períodos chuvosos, sempre que viável. Uma lagoa com capacidade de armazenamento livre é a melhor proteção contra o transbordamento, porque a chuva que cai dentro da esterqueira precisa ter para onde ir.
Na prática, isso significa antecipar o manejo: programar a esvaziação e a aplicação do dejeto como biofertilizante na lavoura antes da chegada das chuvas intensas, sempre conforme o estudo técnico da propriedade e as boas práticas de aplicação — em áreas aptas, nas dosagens recomendadas e observando as condições de solo e clima. Dejeto aplicado corretamente na lavoura é nutrientes a favor da produção; dejeto transbordado é passivo ambiental a favor da fiscalização.
Medidas preventivas para a propriedade
Além de manter o volume baixo, a entidade orienta uma checklist de prevenção nas propriedades:
- Inspeção das estruturas: verificar diques, taludes, impermeabilização e lona das lagoas, corrigindo pontos de fragilidade antes que a chuva os teste;
- Drenagem do entorno: garantir que águas pluviais de áreas externas não estejam entrando nas esterqueiras — calçadas, canaletas e canais de desvio fazem toda a diferença no volume final;
- Rotina de medição: acompanhar o nível das lagoas com frequência maior nos períodos chuvosos, registrando as aferições — o mesmo rigor de registros aplicado à outorga de água vale para o manejo dos dejetos;
- Capacidade livre como regra: projeto e operação devem sempre reservar margem de armazenamento para eventos de chuva — não operar no limite;
- Recolha legalizada em dia: com a cadeia credenciada em funcionamento, a destinação correta de carcaças segue sendo parte essencial da conformidade da propriedade em qualquer época do ano.
Prevenção é mais barata que autuação
A equação é simples e vale para todo o setor: manter a esterqueira em dia custa manejo; transbordar custa multa, processo e imagem. Os órgãos de fiscalização ambiental atuam com mais intensidade nos períodos chuvosos — exatamente quando os transbordamentos acontecem. Chegar a esse período com a propriedade em conformidade é proteger não só o meio ambiente, mas a continuidade da atividade suinícola e o esforço de anos de investimento na granja.
A prevenção também conversa com o momento vivido pelo setor: o produtor do Oeste já enfrentou a discussão das exigências de monitoramento da água — suspensa temporariamente após mobilização do setor, mas com a obrigação de manter os registros em dia quando previstos na outorga. O manejo das esterqueiras segue a mesma lógica de responsabilidade: quem se organiza antes da chuva não é pego de surpresa por ela.
Assuinoeste reforça o alerta
O presidente da Assuinoeste, Delmar Briccius, reforça o alerta:
“El Niño chegou para ficar falando mais alto no regime de chuvas, e a esterqueira cheia vira problema na primeira chuva forte. A orientação é sempre a mesma: antes do período chuvoso, deixe a lagoa o mais vazia possível, dentro do que o estudo técnico da propriedade permite. Chuva ninguém controla, mas o volume da esterqueira o produtor controla.”
“Transbordamento significa dano ambiental e autuação e ninguém quer ver associado pagando por algo que tinha solução preventiva. A Assuinoeste está à disposição para orientar cada produtor: como planejar a esvaziação, como aplicar o biofertilizante da forma correta e como inspecionar as estruturas. Prevenir é sempre mais barato que multa.”
Tem alguma dúvida sobre a sua esterqueira? Fale com a entidade
Os suinocultores da região podem entrar em contato diretamente com a Assuinoeste para receber orientações e esclarecimentos sobre os cuidados com as esterqueiras, o planejamento de esvaziação, a aplicação técnica dos dejetos e a prevenção de problemas ambientais na propriedade. O objetivo é simples: que a chuva encontre todas as granjas do Oeste preparadas.
📞 Assuinoeste: (45) 99997-0024 📍 R. Piratini, 2096, Centro, Toledo/PR
A prevenção protege o produtor, a propriedade e a suinocultura do Oeste. Manter a esterqueira em dia é cuidar da continuidade da atividade.



