Suinocultura reúne entidades e poder público em Toledo para debater a recolha de carcaças, problema sanitário que se arrasta há 20 anos

Reunião na Prefeitura de Toledo reuniu MAPA, Embrapa, ABRA, ABRAVES, órgãos ambientais, cooperativas, integradoras, secretarias de agricultura, Assuinoeste e produtores para buscar soluções para a destinação de até 50 toneladas diárias de carcaças no município, o debate aponta caminhos, mas o desafio agora é construir entendimento entre todos os setores

O problema de 20 anos na mesa e com todos ao redor

No dia 21 de outubro, a Prefeitura de Toledo, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Proteína Animal, promoveu uma reunião técnica no Auditório Acary Oliveira, anexo ao Paço Municipal, para discutir alternativas de recolhimento, transporte e processamento de carcaças de animais — com foco na biossegurança, na saúde pública, na preservação ambiental e nas condições de trabalho dos produtores rurais.

O assunto não é novo: é um problema sanitário que preocupa os suinocultores há 20 anos. O que mudou é a mesa que se sentou para enfrentá-lo — ampla, técnica e com todos os elos da cadeia representados:

  • Governo federal: Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e Embrapa, com contribuições técnicas;
  • Órgãos de fiscalização estaduais: Adapar e IAT;
  • Entidades técnicas e setoriais: ABRA (Associação Brasileira de Reciclagem Animal), ABRAVES (Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos), A&R Nutrição Animal e cooperativas;
  • Poder público municipal: secretarias de Agricultura de Toledo, Pato Bragado e Mercedes;
  • Setor produtivo: empresas integradoras, sociedade civil organizada e produtores rurais que atuam na criação de suínos;
  • E a Assuinoeste, presente defendendo a pauta do suinocultor.

A dimensão do desafio: 50 toneladas por dia

Os números apresentados mostram a escala real do problema. Segundo o secretário municipal de Agricultura e Proteína Animal, Luiz Carlos Bombardelli, Toledo possui aproximadamente 950 mil suínos em estoque estático destinados ao abate — número que chega a 1,2 milhão de animais quando somados os crechários e as matrizes.

A conta que decorre disso é o coração do debate: até 50 toneladas de carcaças geradas por dia no município. É um volume diário de material que precisa ter destino seguro, legal e com controle sanitário — e que hoje encontra limites na capacidade estrutural de recolhimento e processamento disponível, exatamente por isso pressionando há duas décadas.

Industrialização pode transformar problema em oportunidade

Um dos pontos trazidos ao debate foi a existência de uma empresa instalada em Nova Aurora, no Oeste do Paraná, habilitada — conforme destacado na reunião — a realizar o processamento de carcaças de suínos. A informação abre caminho para que o destino do material saia do impasse e ganhe um circuito industrial com controle sanitário, rastreabilidade e aproveitamento do material.

E é aqui que o tema deixa de ser apenas uma obrigação ambiental: a industrialização pode transformar um passivo em oportunidade. Para a região, que passaria a abrigar capacidade instalada de processamento, e para o produtor, que ganharia segurança de destino para o material da granja. O debate dialoga diretamente com a pauta que o setor já vem construindo: o mesmo dejeto e o mesmo resíduo que pressionam a propriedade podem, com estrutura adequada, se converter em valor — energia, nutrientes e cadeia de reciclagem animal.

Os pontos de tensão que precisam de solução

A reunião também escancarou as questões que atravessam o tema há anos, e que a Assuinoeste vem enfrentando no dia a dia com o produtor:

  1. A escolha do produtor: como defendido pela entidade no plenário da Câmara de Toledo no dia 15 de outubro, a adesão ao sistema de recolha legalizada é uma decisão do suinocultor — e precisa ser respeitada por todos os elos da cadeia;
  2. Pressão sobre quem adere: relatos de pressão sobre produtores para não aderirem aos sistemas legais de recolha seguem como preocupação — e empurram para a clandestinidade, o pior cenário sanitário e ambiental;
  3. Riscos sanitários do status quo: carcaça sem destino adequado é ameaça à biosseguridade das granjas, à saúde pública e ao status sanitário que sustenta o mercado da suinocultura brasileira;
  4. Capacidade estrutural: com 50 toneladas diárias só em Toledo, a escala do problema exige solução permanente e regional — não paliativos.

O passo seguinte: entendimento entre todos os setores

A reunião representa mais uma etapa na busca de entendimento entre produtores, empresas integradoras, entidades representativas, órgãos de fiscalização e poder público. O objetivo agora é transformar o debate em caminhos práticos: estruturar o recolhimento, validar o processamento industrial e definir um modelo que funcione para todo o Oeste e que dê ao produtor segurança jurídica, sanitária e ambiental para agir.

A Assuinoeste seguirá acompanhando as próximas etapas do processo e informando seus associados — com o mesmo posicionamento de sempre: solução legal, segura e que não onere o produtor que já responde por toda a estrutura da granja.

Todos juntos no debate e na direção da solução

O presidente da Assuinoeste, Delmar Briccius, avaliou o encontro:

“O problema da carcaça existe há 20 anos e ainda não foi resolvido, porque nunca foi tratado com todos na mesma mesa. Essa reunião em Toledo foi um passo importante: MAPA, Embrapa, IAT, Adapar, integradoras, cooperativas e produtores conversando sobre o mesmo assunto. O que precisamos agora é transformar esse debate em solução, com capacidade de processamento real para as 50 toneladas diárias que a região gera e com a escolha do produtor respeitada.”

“A Assuinoeste vai acompanhar cada etapa desse processo. O que o suinocultor precisa é de um destino legal, seguro e com controle sanitário para o material da granja e, de respaldo para aderir sem medo de represália. O produtor não pode pagar duas vezes pelo mesmo problema.” 

Saiba mais

O funcionamento completo da cadeia de recolha legalizada já foi retratado em reportagem veiculada na TV (assistir aqui), e o contexto completo da reunião pode ser acompanhado na reportagem da Gazeta de Toledo.